Um olhar sobre as corridas

S. Martinho “Clássico” nas Barraquinhas Jalotas parte 6

S. Martinho “Clássico” nas Barraquinhas Jalotas parte 6


 


Por aqui, na já empedrada rua principal de Campo de Jales e por baixo da casa onde também tinham um café, o primeiro da aldeia, ficava a oficina do Sr. Aires, pai do Carlos e do Agripino, onde consertavam as bicicletas dos mineiros e tinham outras para alugar.


Era aquela roda 28, a que eu mais gostava, por ser igual à que eu andava na minha rua, em Vila Real. 


Muitas voltas à aldeia por lá dei, e por vezes, fugindo um pouco à ordem estabelecida, íamos visitar as outras aldeias da redondeza.



Voltei a encontrar os Chinos, também conhecidos por Porquinhos-da-índia, desaparecidos misteriosamente na minha meninice, muito apreciados pelos lavradores por não permitirem a existência de ratos no seu habitat, embora não se alimentem deles!!!.



 


 


 


 


 


 


 



Chegou a hora da partida e de deixar o subsolo dourado de Jales encontrado pelos romanos, provavelmente os seus primeiros exploradores, numa mina de ouro e da qual tenho uma muito vaga ideia, que me foi mostrada e descrita pelo meu pai, na minha juventude, sentados no parque infantil, ou na pedra que existia mesmo ao lado da casa que servia de banco e mesa, durante os longos verões, sem a existência da TV mas na companhia diária de o Comercio do Porto.



 


Por aqui subiam os camiões das empresas que faziam o transporte do minério, para S. João da Madeira, Transportes Guimarães e Viúva de Amândio Ferreira, cuja sonoridade dos potentes camiões, ainda se encontra gravada a vencer a subida que se prolongava até ao cimo da serra, em busca do repouso em Vila Real, para no dia seguinte, seguirem viagem.


Também a “cabra”, nome pela qual era conhecida a sirene que se ouvia em todo o lado e indicava o início ou o fim dos trabalhos á superfície, enquanto o trabalho na mina era contínuo e dividido em três turnos, meia-noite, 8 horas e 14 horas.


 


O tanque do compressor ainda cá está, mas sem a beleza de outrora principalmente quando ocorria a refrigeração e a água jorrava em jacto pelos imensos buraquinhos dos dois tubos.


  


As instalações dos anos 30, eram as primeiras e únicas edificações que encontrávamos junto da estrada principal, agora sem vestígios, no cruzamento para Campo de Jales. A velha casa, o tanque muito alto, e um enorme sardão verde que no alto do telhado nos desafiava habitualmente.


O mesmo aconteceu ao primeiro poço e elevador, situado para os lados do cruzamento para a Vreia, já desactivado naquela época e a funcionar como respiro da mina, eram visitados frequentemente, na companhia do meu Pai, assim como todo o complexo mineiro das quais se destacavam aquelas grandes máquinas da lavaria e também o barulhento compressor.


Mas, uma das visitas mais agradáveis era a que fazíamos à barragem, lá para os lados de Raiz do Monte, que abastecia o complexo industrial, e as casas do aldeamento. A viagem era dura, pela  estrada ia-se bem, mas o caminho, ui, se áquilo se podia chamar caminho, era rude, cansativo e o que me valia era a mão do meu Pai, mas o que eu mais gostava, era ir às “carrachilas”.


Das primitivas instalações de Campo de Jales, já nada resta, das novas pouco ou quase nada ficou daquilo que foi a sua época dourada. 


Jales está irreconhecível, mais bonita, mas sem o encanto de outrora, o seu património mineiro, sempre na esperança de que apareça algum investidor capaz de explorar a riqueza e a potencialidade que aquele subsolo esconde e tem para oferecer aquela terra e às suas gentes.




Um vídeo de Rui Vieira a bordo do Mercedes Benz de 1936 a passagem por Vales 


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