Passeio a Chaves
O local escolhido para início do “São Martinho Transmontano” que se realizou no passado dia 29 de Outubro, foi o mesmo onde todos os meses nos encontramos para os nossos encontros de clássicos de Vila Real.
Enquanto aguardávamos pelos participantes, fomos recordando as vivências destes dias (festa dos Santos) na nossa juventude. Belos tempos em que os amigos guardavam o lugar no carro, com antecedência, para irmos até Chaves, à feira dos Santos. Antes, através de telefonemas e cartas preparávamos os encontros para que pudéssemos ter algumas surpresas agradáveis á nossa espera. Se as tácticas falhassem, afogávamos magoas no presumo, no tinto e nas “loiras”.
O Mini já com o nome do neto.
Á hora marcada rumamos em direcção a Vila Pouca de Aguiar, atravessamos a famosa recta do vale de Vila Pouca, mas um desvio levou-nos a revisitar algumas das aldeias da Serra do Alvão, seguindo em direcção ao Castelo de Aguiar da Pena, perto da aldeia de Pontido, berço de uma banda de música muito conhecida.
Ao fundo, no alto do monte, avistamos o castelo, altivo e desafiador, mas com um caminho onde nem um carro cabia, “caminho de cabras” foi imediatamente rejeitado pela distância e dificuldade de acessos.
“O Castelo de Aguiar é um singular castelo roqueiro, cuja estrutura actual remota aos séculos IX ou X. Situado sobre um enorme penedo granítico, os achados em campanhas arqueológicas revelaram três grandes níveis de ocupação: Pré-Histórica, Celta e Romana. O acesso ao edifício é feito por uma entrada com seis escadas, sob um portal com forma ogival. Subindo alguns rochedos, atinge-se o ponto mais alto, de onde se vislumbra uma panorâmica abrangente sobre todo o Vale de Aguiar. Inclui-se, no edifício, um compartimento de tecto abobadado, bem como a sala da seteira, janela de privilegiada visibilidade estratégica.”
Com o Fiat do João a comandar as operações passamos Vila Pouca, Pedras Salgadas e Vidago, onde não muito longe dali, recordo, em tempos que já lá vão, uma avaria num Hilman Imp “numa noite de verão, em que nos dirigimos a Chaves, para tomar café, ficamos apeados. Na ânsia de encontrar auxílio, dois de nós apanhamos boleia até aos Bombeiros Voluntários de Vidago, que prontamente nos auxiliaram com um Jeep e alguns homens para o respectivo reboque. Com a sirene a tocar, só para afastar e avisar os automobilistas - como dizia o chefe dos bombeiros, porque nós até vamos devagar - quando lá chegamos, encontramos os nossos companheiros que ficaram a guardar o carro, a dormir. A corda com que os bombeiros rebocavam o carro partiu várias vezes, o que foi um subir e descer constante do Jeep. Enfim um pequeno calvário muito divertido para chegar a Vidago. Entretanto íamos nós nesta embrulhada, quando um carro nos ultrapassa e acenando nos manda parar, era nem mais nem menos, o antigo proprietário do carro que nos disse que lhe conhecia as manhas todas. Lá lhe explicamos que a caixa de velocidades tinha encravado e o carro não andava, nem para a frente nem para trás. Muito descansadamente respondeu-nos que lhe conhecia todas as manhas, menos esta, mas também não havias problema, pois ali à frente ia encomendar um petisco e ficava tudo por conta dele.
Depois de sermos obrigados a deixar o carro na avenida, entramos para o restaurante e a conversa durou até altas horas da noite. De repente, o homem lembrou-se que tinha deixado a mulher em casa da sogra e que ficou de a ir buscar. Quanto a nós, dormimos em casa de amigos e a ida a Chaves ficou-se por ali. Como não havia assistência em viagem, regressamos a Vila Real à boleia.”
Voltando ao nosso passeio, continuamos a viagem até ao Hotel Rural Casas Novas para o almoço que decorreu num ambiente muito acolhedor.
De seguida rumamos até Chaves, onde outrora passamos muitas das nossas tardes de fim-de-semana.
Depois de um passeio pela Feira dos Santos, subimos a rua principal, dobramos a esquina outrora não muito fácil de passar, para os forasteiros, olhei para o que resta do Jardim das Freiras e entramos no Bar Aurora, também ele um resistente, para relembrar os belos tempos.
Sentia-se um ambiente estranho e muito diferente dos seus períodos áureos.
Ficam as boas memórias daqueles espaços que como tudo procuram adaptar-se aos novos tempos.




















