Um olhar sobre as corridas

O Regadinho

 


Regadinho


 


 


25 de Novembro de 2009


Alegria e saudade ao ver este cartaz!


 



Organização da Associação de Estudantes da Escola Secundaria Camilo Castelo Branco



 


Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco, nasceu em Lisboa a 16 de Março de 1825 e faleceu em São Miguel de Seide, a 1 de Junho de 1890.
O romancista português, além de cronista, foi crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor.
A vida atribulada entre Vila Real, Viseu e Lisboa, serviu muitas vezes de inspiração para as suas novelas e foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente do seu trabalho literário.


O futuro escritor foi aluno do Liceu Central de Camilo Castelo Branco, entre 1918 e 1920.


 


Nos bons velhos tempos,


 O Regadinho


Uma brincadeira de estudantes levada muito a sério.


 


 


 


Fotografia de 1972


 


Naquele ano, uma velha camioneta Ford “vestida” de Lotus do Team  John Player Special, onde Emerson  Fittipaldi era o principal piloto, procurava brilhar no meio da juventude.


O Regadinho era a primeira actividade de um programa ansiosamente esperado pelos estudantes do Liceu de Vila Real, á qual toda a população da Vila se associava efusivamente.


Criada em 1920, a Associação Académica Camilo Castelo Branco, tinha como objectivo ajudar no desenvolvimento físico, moral e intelectual dos alunos,


Poucos anos depois,  1926 é a altura provável para o primeiro  Regadinho , uma forma de os estudantes criticarem e manifestarem a sua opinião perante factos, pessoas e situações da vida citadina.


Esta salutar actividade continuou no Liceu Nacional de Vila Real apesar de várias intervenções mais ou menos caricatas da censura incluindo uma rolha transportada pelos participante, ocorrida no ano de  1951.


No anos 60 e 70 este encenação preenchia a noite de sábado, em meados de Novembro.


No meu tempo de estudante, os alunos do Liceu vestiam-se de modo desusado, procurando ridicularizar pessoas e instituições. O cortejo iniciava a marcha junto do Liceu, onde nos vestíamos, éramos retocados e arranjados e por vezes adaptados. Ali também se encontravam os cartazes que sobravam depois da visita da censura e os estrategicamente colocados, nunca foram presentes a respectiva comissão.


Os alunos mais velhos trajando rigorosamente de capa e batina, empunhando archotes iluminados, delimitavam e animavam o cortejo enquanto música da banda, esta em traje civil tocava sempre a mesma música e os participantes a acompanhavam enquanto cantavam:


"água leva o regadinho,


água leva o regador,


 enquanto rega e não rega,


 vou falar ao meu amor..."


 


Ao longo de todo o percurso, familiares, amigos e população em geral, deliciavam-se com as diversas e caricatas situações, onde tudo servia de adereço para personalizar o momento: lençóis, ousados fatos de banho, elegantes fraques, chapéus eram personalizados em descalços, pelintras, enfermeiros, médicos, professores, ou então namorados, senhoras e senhores mais ou menos famosos.


Os cartazes muito bem elaborados procuravam eloquentemente satirizar as mais diversas situações onde os seus portadores dançavam  e efectuavam  engraçadas piruetas procurando  chamar as atenções ao mesmo tempo que escondiam o seu nervosismo.


Alguns automóveis, raros, e já com muito uso e por vezes abandonados, davam um ar de importância a esta manifestação estudantil.


 


Outras vezes não, era o próprio proprietário e ou antigo aluno a disponibiliza-lo.


 


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