O Circuito de Vila Real – Contributos para uma Antologia
VILA REAL Apresentação da obra “O Circuito de Vila Real – Contributos para uma Antologia”
Durante a apresentação do n.º 29 da Colecção Tellus, O Circuito de Vila Real – Contributos para uma Antologia, organizada por Elísio Amaral Neves, podemos ouvir o entusiasmo e a dedicação vertida no seu mais recente trabalho.
“Prefácio
Não consigo precisar há quanto tempo nos pediram, e não foi certamente uma única vez, para reflectir e sugerir algumas iniciativas que afirmassem definitivamente o Circuito de Vila Real como um recurso turístico regional e nacional (…)
(…) Todos recordarão que o que sobressaia daqueles dias quentes e do silêncio mágico que envolvia a cidade, era o barulho específico dos automóveis e das motos - na Avenida carvalho Araújo, nos dias que antecediam as provas, nas entradas da Cidade, onde acorriam dezenas de milhar de adeptos; no Circuito; nas ruas, nas nossas casas. Esse barulho, que se transformava num ruido próprio, com uma identidade, é para nós também ele um ícone do circuito.
Aureliano Barrigas, ao analisar a sua importância como meio de promoção do Concelho, diz que vale mais um «simples ronco do “Bugatti” vermelho, do simpático desportista Alfredo Marinho» do que uma «erudita conferência do Abade de Baçal».
O escritor A. Passos Coelho confidenciou-nos que, em garoto, nos primeiros anos da década de 1930, vinha sempre às corridas a Vila Real. Tinha sete, oito anos, e sem autorização dos pais, fugia de Balongueiras na companhia de rapazes um pouco mais velhos, na direcção de Mateus. Cheio de calor, sem ter um tostão que lhe permitisse comprar um copo de água pequeno, ali ficava, atras dos mais velhos e sobretudo dos mais altos. Horas a fio, sem nunca ver passar um automóvel. Só os ouvia. E recorda hoje sem qualquer mágoa o seu barulho: vrrrrruuuuummmm.(…)