Imprensa 2016


#VilaReal
Pilotos que subirem ao pódio do circuito vão receber troféu em barro preto
#OlariadeBisalhães com projeção mundial
Eduardo Pinto
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Não só do esguichar de espumante dourado se fará a festa no pódio das corridas de Vila Real. A vitória também se moldará a barro preto de #Bisalhães, loiça típica desta aldeia do concelho, que desde 2015 corre o globo, graças aos pilotos que participam no Campeonato do Mundo de Carros de Turismo (#WTCC). Mas este ano, a promoção do barro preto ficará também a cargo dos que vão disputar a Taça da Europa de Carros de Turismo (#ETCC).
Na olaria de Jorge Ramalho, em #Bisalhães, os dias correm curtos e sob stress, para tudo estar pronto a tempo dos pódios. Ontem, em tarde a escaldar, porém nem tanto como os 1500 graus de temperatura que o forno artesanal atinge, o oleiro continuava a dar corpo aos 230 troféus que lhe calharam na encomenda da organização das corridas e nos quais começou a trabalhar há um mês. Para dar conta do recado, Ramalho teve de recorrer à ajuda de mais três pessoas para “preparar a pasta e levar o barro ao forno”. Os retoques finais já são com ele.
O oleiro trabalha essencialmente com barro de Chaves e Aveiro. “ O primeiro é mais fraco, tem muita terá, mas é essencial para equilibrar o segundo, que é mais consistente e gorduroso”, explica, salientando que “com apenas um deles não conseguiria fazer este tipo de peças”. O de Aveiro, por exemplo, “racha muito com este sistema de cozedura, que é muito forte”. O barro chega em bruto, a seguir são-lhe retiradas as impurezas e é seleccionado de acordo com as peças a que se destinam. Depois de moldadas, são cozidas em forno de lenha, aquecido com carqueja e giestas, e abafadas com terra. No final do processo, apresentam típica tonalidade preta. O troféu fica concluído com a aplicação de uma cinta e de uma medalha, ambas em estanho, trabalho que está a cargo do artesão Acácio Carvalhais, de Vila Seca de Poiares, Régua.
Jorge Ramalho acredita que, através do Circuito Internacional de Vila Real, “o barro preto ganha projecção mundial”. No entanto, ressalva que “ o que verdadeiramente diferencia esta olaria de outras são as peças de culinária e não tanto as decorativas”.
Novos projectos
Embora tivesse “aprendido a arte aos cinco anos”, só há cinco é que Ramalho está nesta actividade a 100%. Antes, dedicou-se à mecânica, mas vendo que o pai, já octogenário e doente, não tinha forças para prosseguir a tradição, decidiu dar-lhe continuidade, “para não a deixar ir por água abaixo”.
Dos novos projectos do artesão, destaca-se, após três anos de experiências, “um copo de barro preto 100% impermeável”, que já fornece essencialmente a restaurantes, e está agora trabalhar num “prato para ir directamente à chama” e com "garantia vitalícia”.

Três amigos com o produtor do troféu.


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