Um olhar sobre as corridas

Dima e DM em Vila Real

 


Três Dima inscritos em Vila Real


 


 


 


Dima Nº 4 - Elísio de Melo no LF-11-52 durante o VII Circuito de Vila Real em 1951.


 


A Dima e DM são a mesma marca despontada em Portugal em 1951, pela mão do catalão Dionísio Mateu e responsável por sete carroceiras diferentes, principalmente para a competição e ainda transformou vários veículos para o uso no dia-a-dia.


 


 


A ideia de um carro de “grand sport” surgiu após do 1º Circuito Internacional  do Porto, depois da tentativa frustrada de comprar o Cisitalia 204 A de Emílio Romano desenvolvido por Carlo Abarth.


 


 


“Dava-lhe 100 contos”, mas a resposta foi “O carro só seria meu se me dispusesse a pagar 200 contos”.


 


 


Como era demasiado caro rapidamente começou a idealização do um projecto baseado nos Simca, como já o faziam muitos outros construtores independentes.  


A escolha recaiu no chassis utilizado pelo Simca 1100, no qual foi implantado uma carroçaria desenhada pelo próprio Dionísio Mateu e executada nas instalações da Auto Federal, Lda.


Novamente Dionísio Mateu: "(…) Do motor velho fez-se um novo, em várias oficinas conhecidas e até em minha casa - onde foram calibrados e polidos a cambota, bielas e os pistões, sendo modificados o volante do motor e embraiagem. A carroçaria toda construída sob a minha direcção é aquilo que se vê".


 


 


E os Dima começam as actividades desportivas


 



Vila Real


 


Três automóveis Dima 1100 foram inscritos no Circuito Internacional de Vila Real em 1951


Nº 4 - Elísio de Melo


Nº 5 - Júlio Simas


Nº.6 - Francisco Corte Real Pereira


À partida na Avenida Almeida Lucena, o carro Nº 5 de Júlio Simas não compareceu na sequência do acidente ocorrido durante os treinos, quando um rapazito saltou para a pista e para o evitar, despista-se, com consequências apenas para o seu automóvel.


 


No final, Francisco Corte Real termina em 6º e Elísio de Melo obtêm o 8º lugar da geral e segundo da classe III, onde o primeiro lugar da mesma classe foi para o Cisitalia Abarth 204 Spyder Sport de Emílio Romano, curiosamente o carro que Dionísio Mateu esteve para comprar no ano anterior.


 


 


 A vitória à classe surgiu no circuito da Boavista, durante o 2º Circuito Internacional do Porto e 1º Grande Prémio de Portugal, por intermédio de Corte Real Pereira com o seu 11º  lugar na geral, onde  Elísio de Melo e Júlio Simas  não completaram a prova.


A designação Dima provocou uma reacção da marca Panhard, por causa da semelhança fonética com o seu modelo Dyna, tendo sido a marca portuguesa alterada para DM, as iniciais do seu fundador.


 


A comercialização de kits de transformação para os Simca, Fiat e Austin do dia-a-dia provenientes do seu envolvimento na competição, começou a interessar os mais interessados em aumentar as performances dos seus veículos,


A 22 de Junho de 1952, na Boavista, para o 3º Circuito Internacional do Porto,  2º Grande Prémio de Portugal, os três automóveis ainda estavam inscritos como Dima e destinados a:


Nº 5 – Elísio de Melo Dima


Nº 6 – Joaquim Filipe Nogueira – Dima


Nº 4 – Corte Real Pereira – Dima


Nova vitória de Corte Real Pereira na classe até 1100 cc


 


 



 


 


Mas, a 5 de Julho, em Vila Real, já estão inscritos como DM o


Nº 5 - Corte Real – DM 1100


Nº 3 - Elísio de Melo – DM 1100


 


 


Nova vitória e um segundo lugar no Grupo III foi o saldo positivo de mais uma participação em provas nacionais.


 


Enquanto esteve em actividade produziu mais de sete carroçarias diferentes, e alcançou um grande número de vitórias na classe, entre 1951 e 1954.


Desentendimentos entre os dois sócios, estão na origem do encerramento de mais uma marca nacional


 


 


No Caramulo Motorfestival em 2008



 


Rampa do Caramulo em 2008



 


O DM, no Museu do Caramulo, durante a exposição Automóveis Portugueses em 2009





Para saber mais


Auto Clássico nº 17 de Maio de 1993


 

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