Um olhar sobre as corridas

Circuito da Boavista WTCC 2011 parte 13

 


Isep Barchetta 00


 


Não é muitas vezes que deparamos com  novos automóveis de corrida e muito menos projectados e construídos em Portugal.


Foi com grande surpresa que vi o novo protótipo, o Barchetta 00 a ser apresentado ao público no seu lugar de eleição, um circuito, em seu pleno funcionamento. Esta estreia coube ao Circuito da Boavista durante a realização da prova do Campeonato do Mundo de Turismo WTCC 2011.


Só tive pena de não o ver a dar uma voltinha na pista citadina, como bem merecia.


 



BARCHETTA – ISEP


 



 



 


No Boletim Informativo nº6 / 2008 do Instituto Superior de Engenharia do Porto


podia ler-se:


 


 


A NOSSA TECNOLOGIA ISEP.BI


BARCHETTA


NOVO PROJECTO ISEP/MUNDAUTO


QUASE PRONTO PARA COMPETIR


 


Chama-se Barchetta e é um automóvel de competição de dois lugares, mais leve e mais rápido do que o vencedor Fiat Uno 45. A nova criação do Departamento de Engenharia Mecânica do Instituto Superior de Engenharia do Porto foi concebida para ser ela própria a origem de um novo troféu de competição. O desafio está lançado, os parceiros convencidos e o novo automóvel quase apto para correr nas pistas.


É mais um exemplo da cooperação entre docentes, alunos e empresas.


A ideia surgiu no final de um treino do Team ISEP/Mundauto para oChallenge Desafio Único no circuito de Braga, no final do ano passado.


Hoje, a  Barchetta  é  um  protótipo  real  quase  pronto  para  ser experimentado.


O ambicioso projecto de uma equipa que envolve o Departamento de Engenharia Mecânica do ISEP e a empresa Mundauto, liderada por


Luis  Miranda  Torres  (ISEP)  e  José  Leite  (Mundauto),  envolveu directamente, até à data, sete alunos do curso de Engenharia Mecânica.


Esta equipa conta ainda com a colaboração das empresas Alto-Perfis Pultrudidos Lda, BP Portugal SA, Interescape Lda e DBE Suspension Engineering.


Para Luís Miranda Torres, a Barchetta é, antes de mais, “um exercício de integração e aplicação de conhecimentos de engenharia, no qual os alunos têm a oportunidade de trabalhar num cenário real”. Mas a ambição vai mais além. “Para além deste exercício, temos como objectivo homologar a  Barchetta  para  uma  competição  do


Campeonato Nacional de Velocidade, criando um troféu de baixocusto, que se pode posicionar entre o Challenge Desafio Único e as restantes  categorias  existentes  no  panorama  do  Nacional  de Velocidade”, acrescenta o docente.


Neste  momento,  a  equipa  criadora  da  Barchetta  encontra-se  a desenvolver uma segunda versão do chassis, corrigindo alguns pontos em conformidade com a regulamentação da Fédération Internationale de L’Automobile (FIA) e da Federação Portuguesa de Automobilismoe Karting (FPAK).


A nova versão do chassis terá um novo desenho dos berços frontal e traseiro e uma solução mais evoluída no que diz respeito às suspensões”, explica Luís Miranda Torres. Estas correcções, segundo  o  engenheiro,  vão  servir  para  uma  homologação  do automóvel para as futuras provas.


Depois do desenvolvimento desta segunda versão do chassis, segue-se a sua construção, acertos de pormenor na carroçaria, montagem de todos os componentes mecânicos, testes e instrução do processo de homologação” e, depois sim, a Barchetta estará pronta para correr em cenários de verdadeira competição.


Dado que o objectivo último da Barchetta é a criação de um troféu de baixo custo, que se posicione entre o Desafio Único e as provas situadas nos escalões superiores, Luís Miranda Torres explica que o projecto tem sido desenvolvido de forma a permitir que este carro de corrida  possa  ser  adquirido  em  kit  e  construído  pelas  equipas concorrentes de acordo com instruções de montagem, respeitando os regulamentos aplicáveis.


 


A técnica da engenharia


 


A construção da Barchetta integra dois tipos de elementos: uns reciclados e outros criados especificamente para este projecto. O chassis tubular em aço, incluindo os braços de suspensão, a carroçaria em fibra de vidro, o conjunto de pedais e o depósito de gasolina foi,segundo o docente responsável, concebido especialmente para a Barchetta. Os restantes componentes mecânicos são provenientes de automóveis usados sem valor comercial, neste caso, o Fiat Uno 45, entre eles o motor, a caixa de velocidades, a caixa de direcção, as mangas de eixo e os discos de travão.


 


Em termos técnicos, a Barchetta é um carro de corrida aberto com um chassis tubular que se insere na categoria II (automóveis decompetição), grupo E (fórmula livre) e classe 5 (até 1000 c.c.). Tem uma carroçaria em fibra de vidro, motor central de origem FIAT (modelo Uno 45), tracção traseira, travões de disco nas quatro rodas e suspensões com triângulos sobrepostos.


Tal como Luis Miranda Torres explicou ao ISEP.BI, a Barchetta é um carro de corrida para circuitos e rampas que usa a mesma mecânica dos modelos intervenientes no Challenge Desafio Único”. A diferença está nos materiais usados na construção, sendo de esperar que o tempo por volta, em qualquer circuito, seja significativamente mais baixo do que o conseguido pelos melhores Fiat Uno, “uma vez que é mais leve cerca de 200 kg, possui um centro de gravidade e uma distribuição de pesos mais favorável, para além de permitir mais afinações da geometria de suspensões”, explicou o engenheiro.


 


Investigação fundamental para o desenvolvimento do ISEP


 


Para Luís Miranda Torres, todas as iniciativas e projectos ligados à investigação são fundamentais dado que promovem a aplicação de conhecimentos num cenário real e contribuem para o desenvolvimento da  cultura  técnica  dos  alunos.  Além  disso,  promovem  o desenvolvimento de uma visão integrada dos problemas, facto que é, para o engenheiro, fundamental no exercício de qualquer actividade de engenharia”. Projectos como a Barchetta contribuem também para o desenvolvimento das suas capacidades de trabalho em equipa.


Outro aspecto importante é o facto de os alunos desenvolverem trabalho em colaboração com empresas, potenciando a sua colocação mercado de trabalho, como aliás tem acontecido”,  acrescenta  odocente.


No Departamento de Engenharia Mecânica, a satisfação pelo sucesso da Barchetta é geral. Quanto a novos projectos, Luís Miranda Torres confessa que “ideias não faltam, no entanto, é necessário concluir os projectos que estão a decorrer e depois partir para novos desafios.


 


Entretanto... 




Começaram os testes do  Projecto Barchetta  00


 


No início do mês de Agosto teve início o programa de desenvolvimento da Barchetta do ISEP no circuito Vasco Sameiro. Com o apoio do KIB/CAM, a pista de Braga, que reúne características muito interessantes para a realização dos testes dinâmicos, passou a ser o circuito oficial de desenvolvimento deste carro, o que permitirá chegar à fase da sua homologação, para provas de velocidade.


Pedro Matos, o responsável pelo desenvolvimento em pista do carro, registou tempos por volta muito próximos de 1 minuto e 40 segundos, o que deixou toda a equipa muito satisfeita.


 

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