Um olhar sobre as corridas

19 Circuito Internacional de Vila Real

 


XIX Circuito Internacional de Vila Real 1972


 


 


OS CAROLAS DAS CORRIDAS


 


Aqueles que nos dias das CORRIDAS, procuram para as ver (ou não ver) o lugar que mais lhe agrada, quer nas bancadas da META, quer em qualquer das sombras, ou lugar ao sol, nas margens do percurso, associando à ideia do espectáculo, à ideia de uma boa MERENDA; aqueles que vêem as corridas mais como um acontecimento mundano banal, não dando conta do espirito competitivo que as caracteriza; e ainda aqueles que as encaram como uma espécie de Carnaval, classificativo que ouvimos a alguém que declarou interessar-lhe secundariamente a feição desportiva da luta travada; aqueles a quem interessa principalmente e quase  exclusivamente a paisagem humana rica de cor e movimento que então se disfruta – a todas estas pessoas perguntamos se têm um só pensamento, perdem algum tempo, mínimo que seja, a avaliar o esforço que os seus organizadores são obrigados a disperder; os riscos que correm, os problemas que se lhes levantam e as preocupações que cercam o seu trabalho, cujo êxito começa por depender, em primeiro lugar, das condições atmosféricas?


Serão muitas as pessoas que pensam nisso e se solidarizam e apoiam, ao menos moralmente, o reduzido número de CAROLAS que chamaram a si a pesada tarefa de organizar e promovera realização de tão belo como arriscado espectáculo?


Responda quem tiver coragem para o fazer.


É um espectáculo que todos querem gozar sem a mínima preocupação, inclusive a de dar o seu pequeno contributo financeiro, esquecendo-se dos sérios compromissos que é preciso assumir e os pesados encargos que é forçoso satisfazer – posição que só a carolice de alguns aceita tão audaciosamente.


Quando pensamos no estado de espirito que as perspectivas das mas condições meteorológicas criam ou podem criar nos responsáveis pelo acontecimento, responsabilidade que voluntariamente assumiram sem outra compensação que não seja a alegria de engrandecer Vila Real, chamando para a risonha Princesa do Corgo as ostenções do mundo desportivo, gastando para tanto o seu tempo, as suas energias e quantas vezes o seu dinheiro – quando isto acontece, aumenta em nós a admiração que nutrimos por estes CAROLAS sem a dedicação dos quais não era possível  a concretização de tão espectacular acontecimento.


Quis a natureza dar a esta terra esta bela pista que FAZ FERRO aos que querem deslocar para o Sul, para si, o centro natural de tais actividades, procurando escabichar deficiências e descobrir insuficiências que minimizem as suas excepcionais características para prélios internacionais justificando assim a deslocação da MECA do desporto Automobilístico…


Defendemo-nos de manobras RAPACES e criticas injustas por nem sempre bem intencionadas, é obrigação de todos nós, como ? apoiando os que se batem denodadamente por sua DAMA – OS CAROLAS DAS CORRIDAS, todos nós os que bebemos este Sol e respiramos este ar fresco da Serra que nos enrijece a têmpera e nos manda lutar obedecendo ao principio de que MAIS VALE MORRER COM HONRA, DO QUE VIVER SEM ELA, desportivamente falando…


Neste momento, lembramo-nos da resposta que o INTERPRETE deu ao Maniputo, juiz dos pequenos delitos, quando estava a julgar o indígena delinquente  - ATÉ AGORA NÃO DISSE NADA… SÓ FALOU…


E a fechar parafraseando a histórica expressão: CAROLAS DAS CORRIDAS! Vila Real Honrai… que Vila Real vos comtempla…


A. Ferreira Setas


In Programa das corridas de Vila Real 1972   


   

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